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Projeto

Programa de Pesquisa Colaborativa (PRC) interdisciplinar sobre as interações entre populações e meio ambiente no semiárido da região Nordeste brasileiro.

"Como um território diante à crise planetária do Antropoceno? Dinâmicas socioambientais no semiárido brasileiro (TASAB)" (2022–2026)

Projeto financiado pela Agência Nacional de Pesquisa da França (ANR), no âmbito do comitê CE03 – Eixo H.1: Ciências da Sustentabilidade

A crise ambiental planetária evidencia que as sociedades humanas não estão fora do meio ambiente, embora nele ocupem uma posição particular.


A complexidade das interações entre os sistemas sociais e os ecossistemas naturais é o principal desafio conceitual da noção de Antropoceno. Ao mesmo tempo que marca a entrada em uma era crítica de rupturas sistêmicas, essa noção mostra que os sistemas sociais nunca foram plenamente autônomos.

O projeto TASAB investiga as dinâmicas de interação entre sociedade e meio ambiente, tendo como estudo de caso o semiárido do Nordeste brasileiro — uma região de vasta extensão, com ocupação humana antiga, onde os processos de urbanização e transformações demográficas das últimas décadas vêm redesenhando as dinâmicas sociais e territoriais.

A crise global é, ao mesmo tempo, uma crise dos sistemas ambientais e sociais. Compreender seus mecanismos é essencial para avançar na transição ecológica, o que exige um marco de pesquisa verdadeiramente interdisciplinar. Também é necessário integrar diferentes escalas de tempo e espaço para compreender a dinâmica ambiental, tanto a partir da evolução das relações recíprocas entre sociedade e meio ambiente, quanto por meio da definição de um referencial pré-antrópico que permita identificar a contribuição antrópica para a crise global.

Para articular disciplinas e escalas temporais, partimos da observação dos solos — interfaces entre clima e vegetação — que desempenham um papel central nos ciclos biogeoquímicos (como o do carbono), além de estarem profundamente ligados às atividades humanas.

A análise territorial nos permite conectar as escalas local e regional e tratar a crise global não de maneira setorial (econômica ou voltada a riscos específicos), mas como expressão de uma dinâmica ampla da organização social.

Essa dinâmica está profundamente vinculada à transição demográfica e seus múltiplos efeitos: redistribuição populacional, urbanização acelerada e transformações socioculturais, tanto em níveis individuais quanto coletivos.

Assim, propomos interpretar a crise global como o resultado da sobreposição de dois grandes “nexos” de questões: biodiversidade/clima/recursos e sociedade/alimentação/recursos, traçando um contínuo entre práticas individuais, organização social e territorial, e as interações entre sociedade e meio ambiente.

Com essa abordagem, esperamos contribuir para a identificação de limiares críticos de ruptura socioambiental, que possam orientar ações voltadas à transição ecológica.

Nosso estudo se desenvolve no semiárido brasileiro — uma região vasta e densamente povoada, onde as tensões socioambientais são acentuadas por desigualdades sociais históricas, crescimento populacional acelerado e os efeitos do aquecimento global.

a) Le semi-aride brésilien (et le Nordeste). Indice de développement humain municipal (2010) et population (2017), selon l’IBGE-UNPD.

b) Indice de vulnérabilité à la dégradation/désertification dans le Nordeste.

HabitatRural.png

c) Habitat rural du semi-aride - 2021, © L. Siame

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